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Princípios FAIR

Trazem um conjunto de orientações que garantem a transparência, a reprodutibilidade e a reutilização dos dados de pesquisas científicas. Esses princípios são voltados também para aprimorar a capacidade das máquinas de encontrarem e reutilizarem os dados de forma automática, sendo que as diretrizes propostas consideram, não apenas os dados, mas também os algoritmos, ferramentas e fluxos de trabalho que geram esses dados. O acrónimo FAIR corresponde a quatro atributos que esses objetos devem possuir:

  • Findable (Encontrável)
  • Accessible (Acessível)
  • Interoperable (Interoperável)
  • Reusable (Reutilizável)

Adotar os princípios FAIR pode trazer benefícios como:

  • Facilitar o encontro das informações ou dados coletados: uso de identificadores persistentes, metadados ricos para descrever contexto, comunidade, localização, autor e outros.
  • Garantir que outros (pesquisadores, comunidades, sistemas computacionais) possam acessar ou, pelo menos, conhecer os metadados, mesmo que os dados completos não possam ser públicos (por exemplo, por questões de sensibilidade ou direitos culturais).
  • Aumentar a interoperabilidade de dados ou conhecimento — por exemplo, permitir que diferentes bases, estudos ou sistemas troquem informação ou se combinem.
  • Promover a reutilização do conhecimento produzido, com licenças claras, proveniência documentada, e aderência a padrões comunitários (ou adaptados).
  • Atender exigências de financiadoras ou editores que cada vez mais consideram boas práticas de dados/conhecimento em publicações e projetos.

Cada um dos atributos FAIR pode ser desdobrado em subprincípios específicos:

Encontrável (F):
  • (Meta)dados são atribuídos um identificador global único e persistente.
  • (Meta)dados são descritos com metadados “ricos”.
  • Metadados incluem explicitamente o identificador dos dados que descrevem.
  • (Meta)dados são registados ou indexados em um recurso pesquisável.
Acessível (A):
  • (Meta)dados são recuperáveis pelo identificador usando protocolo standard.
    • O protocolo é aberto, gratuito, e universalmente implementável.
    • O protocolo permite autenticação/autorização quando necessário.
  • Metadados devem permanecer acessíveis, mesmo que os dados em si já não estejam disponíveis.
Interoperável (I):
  • (Meta)dados usam linguagem formal, acessível, compartilhada e de aplicação ampla para representação de conhecimento.
  • (Meta)dados usam vocabulários que também seguem os princípios FAIR.
  • (Meta)dados incluem referências qualificadas para outros (meta)dados.
Reutilizável (R):
  • (Meta)dados são descritos com pluralidade de atributos precisos e relevantes.
    • (Meta)dados são liberados com uma licença de uso clara e acessível.
    • (Meta)dados são associados a uma proveniência detalhada.
    • (Meta)dados atendem a padrões de comunidade-relevantes.

Importante ressaltar que são diretrizes, não um padrão técnico ou especificação de implementação. Ou seja, as organizações podem adotar os Princípios FAIR em diferentes níveis ou “grau de FAIRness”. Uma frase importante associada a esses Princípios é: “Tão aberto quanto possível, tão fechado quanto necessário”.

Wilkinson, M., Dumontier, M., Aalbersberg, I. et al. The FAIR Guiding Principles for scientific data management and stewardship. Sci Data 3, 160018 (2016). https://doi.org/10.1038/sdata.2016.18

Se ainda não estiverem FAIR...

Caso ainda não estejam disponíveis de forma adequada, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) pode oferecer suporte para que os dados atendam aos princípios FAIR, acompanhando o pesquisador em todo o processo de publicação.

Para saber mais: